Me cansei da igreja

Antes de iniciar a leitura, quero deixar claro duas coisas:

  1. Eu considero a comunhão entre os irmãos uma das coisas mais importantes na vida dos cristãos e não, não estou defendendo o desigrejamento opcional.
  2. Este texto possui um desabafo pessoal.

 


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Quando chega o domingo, nos arrumamos, nos dirigimos à igreja onde congregamos, lá, conversamos com os irmãos, oramos, cantamos, escutamos a palavra e voltamos para casa, isso acontece semana após semana. Nossa vida como “igreja”, se resume a alguns momentos em que aparentamos uma certa santidade e nestes momentos, não existem problemas ou diferenças, somos uma grande família e todos se amam. Ao sair da reunião nos esquecemos das coisas amáveis que foram ditas e as ações de afeto pelos nossos próximos são facilmente substituídas por tarefas corriqueiras que permeiam nossa semana. Mas não precisamos nos preocupar, no próximo domingo ou na próxima reunião, nos encontraremos novamente e tudo voltará a ser perfeitamente maravilhoso.

Será que apenas isso nos faz igreja? Será que isso nos faz cristãos? Ou será que estamos apenas nos reunindo em um local para uma pseudo adoração a Deus? Meu objetivo aqui não é abordar a questão social ou ainda o que deve-se fazer em um culto. Mas sim, o relacionamento entre os irmãos.

 

“Como é bom e agradável quando os irmãos vivem em união!” (Sl 133.1 – NVT)

 

Quando pensamos na palavra comunhão, geralmente compreendemos como participar de reuniões, comer alguma coisa juntos e, na sequência, cada um seguir seu caminho, não é mesmo? Segundo o dicionário, comunhão é a ação ou efeito de comungar; ato de realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto. Harmonia no modo de sentir, pensar, agir; identificação: comunhão de pensamentos. Em que há união ou ligação; compartilhamento.

De certa forma, a observação acerca da comunhão está correta; participar de algo com os quais gostamos ou de sair para um jantar com os amigos, ou ainda reunir a galera em casa para um momento de descontração, realmente é muito bom. A bíblia nos diz em Provérbios 27.17 que: “Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro (NVT), mas como isso será possível se não nos importamos uns com os outros como deveria, ou melhor, não nos dispomos a acompanhar aqueles que estão ao nosso redor?

Sempre fui um cara muito aberto a novas amizades e, até certo ponto, para um curitibano, conheço novas pessoas com certa facilidade. Nunca tive grandes problemas para puxar uma conversa ou até mesmo fazer algumas brincadeiras com as pessoas. Ao passar o tempo, algumas pessoas das quais eu contava em todos os momentos começaram a se afastar ou por questões bobas, ignoraram tudo o que havíamos passado. Além disso, devido algumas situações, comecei a me desapontar com algumas questões eclesiásticas, e também me afastar. OK, reconheço que não foi a melhor decisão que tenha tomado, mas tais acontecimentos acabaram desencadeando em mim, um longo período de solidão (você pode escutar nosso podcast falando sobre esse tema aqui), no qual, não tive ninguém para conversar, ninguém para me corrigir e muito menos alguém apenas para me cobrar, e não quero dizer alguém para controlar minha vida (como algumas pessoas compreendem o discipulado), mas como acompanhamento mesmo, como alguém para chamar de amigo de verdade.

Ainda hoje, enfrento os males de tais feitos: deixei de confiar tão prontamente nas pessoas, não consigo expressar com palavras o que sinto, tenho dificuldades em me envolver por inteiro em determinadas atividades na igreja. Se por um lado, talvez tenha sido bom, pois me forcei a “crescer”, por outro, com toda certeza, não foi.

Quando pensei sobre o que escreveria, logo me veio essa questão da decepção, e expor o motivo pelo qual me cansei da igreja, realmente isso aconteceu, mas não no sentido congregacional, compreendo perfeitamente que elas possuem falhas, erros doutrinários e teológicos, compreendo também que seus líderes, enquanto seres humanos, cometem falhas e sim, vão errar com toda a certeza, além disso, acredito que tais motivos não são suficientes para que se deixe de congregar. O que tem me incomodado, e muito, é o fato de não observarmos (e incluo os pastores também) as pessoas que estão ao nosso redor, não nos preocuparmos com eles, seja física ou espiritualmente.

As igrejas estão cheias, as redes sociais conectam mais pessoas a cada dia. Porém, não podemos apenas nos reunir em nossos cultos e pensar que está tudo bem com a pessoa ao nosso lado. Não podemos olhar para o nosso próximo e só pela aparência, deduzir que ele não possui dilemas e dificuldades, mesmo que tal pessoa resista ou não não queira compartilhar o que está acontecendo, devemos demonstrar prontidão em ajudar.

Se posso deixar um conselho é: Irmãos cuidem uns dos outros! Demonstre interesse pela pessoa que está ao seu lado, cuide! Se fizermos isso, com certeza vamos evitar novos “machucados” com a igreja.

 

“Alguns que se dizem amigos destroem uns aos outros,
mas o verdadeiro amigo é mais próximo que um irmão.” (Pv 18.24 – NVT)

 

Capa: Photo by Karl Fredrickson on Unsplash
Abner Lobo

Abner Lobo

Paulista de nascimento, curitibano de coração. Casado desde 2014 com a mulher mais linda deste mundo. Formado em design por opção e estudante de teologia por paixão. Leio muito mas também assisto muitas séries.

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